Viajando pelos sertões de José de Alencar: uma análise do conceito de sertão na obra O Sertanejo (1875)
Resumo: No livro O sertanejo, de 1875, José de Alencar traz contribuições importantes para os estudos sobre os sertões. A obra nos permite compreender as transformações do seu pensamento em relação à construção da nação no Brasil. A questão central que procuro desenvolver neste artigo é a seguinte: no livro O sertanejo, o sertão aparece como espaço híbrido, o ponto de encontro entre a civilização e a selva (Martins, 1997). Ao situar o sertão nesse espaço de entre-lugares, questiono o porquê de uma mudança tão significativa em relação ao conceito de sertão em comparação com suas obras anteriores - O Guarani (1857), Iracema (1867) e As Minas de Prata (1867), nas quais o sertão aparece como um elemento secundário. Ao analisar o conceito de sertão no livro O sertanejo formulei a seguinte hipótese: José de Alencar, ao desfazer a dualidade sertão x civilização, insere o sertão na sua concepção de civilização.
Palavras-chave: Civilização. Literatura. Fronteira.
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