Os diamantes de Nova Lorena Diamantina: as grandes pedras em disputa no Brasil Colônia
Resumo: O Brasil se tornou o maior produtor mundial de diamantes no século XVIII com a descoberta de aluviões diamantíferos em Minas Gerais, em pleno Ciclo do Ouro durante o período colonial. Os diamantes brasileiros inundaram o mercado mundial com inúmeras pedras de poucos quilates do vale do rio Jequitinhonha, mas grandes diamantes também foram negociados de forma legal e ilegal a partir de meados do século XVIII, principalmente com as novas descobertas diamantíferas no oeste de Minas Gerais (Sertão do Abaeté), na segunda demarcação extrativista chamada Nova Lorena Diamantina. A Coroa portuguesa assumiu o protagonismo mundial da comercialização de diamantes produzidos na sua principal colônia, onde controlavam a exploração com a política da Real Extração de Diamantes e a Intendência Diamantina estabelecida no arraial do Tijuco (Diamantina). No entanto, grande parte da produção era contrabandeada, principalmente pedras maiores que 20 quilates que pertenciam por lei à Coroa portuguesa. Esta é a história de dois grandes diamantes que foram encontrados no final do século XVIII, incluindo uma pedra de 138,5 quilates que foi a gema brasileira mais famosa deste período e outra de 35 quilates, ambos pertencentes ao Tesouro Real português. O primeiro trata-se do Diamante do Abaeté, encontrado por sertanistas em um afluente desse rio em 1792, enquanto o segundo, cuja origem era até então desconhecida, é demonstrado neste estudo se tratar de um diamante encontrado em 1799 no Rio Indaiá pelo famoso garimpeiro Isidoro, ambos provenientes de rios do Sertão do Abaeté.
Palavras-chave: Brasil colônia. Real Extração Diamantina, Nova Lorena Diamantina.
Referências
BALFOUR, I. Famous Diamonds. London: Antique Collectors’ Club Ltd. 2008.
BARBOSA, O. Diamante no Brasil: histórico, ocorrência, prospecção e lavra. Brasília: CPRM. 1991.
BORGES, L.A.D., CHAVES, M.L.S., KARFUNKEL, J. Diamonds from Borrachudo River, São Francisco Basin (Tiros, MG): Morphologic and Dissolution Aspects. In: Rev. Esc. Minas, v. 67, n.2, p. 159165. 2014.
BOXER, C. A Idade de Ouro do Brasil. Tradução de Nair de Lacerda. São Paulo: Campanha Editora Nacional, 1969.
CARVALHO, R.G. The Bragança “Diamond” Discovered? In: Gems & Gemology, v. 42, n. 3, p. 132133. 2006. https://www.gia.edu/doc/FA06.pdf.
CARVALHO, R.G. Understanding gem-stone weights. In: Gamma, v. 1, n. 4, p. 6264. 2021
CORREA, C.C. Serra da Saudade. Belo Horizonte, 1948.
ESCHWEGE, W.L. Pluto Brasiliensis. Tradução de Domício de Figueiredo Murta. Brasília: Senado Federal, 2011.
FIÚZA, R. O diamante do Abaeté & outros contos. Belo Horizonte: Imprensa Oficial de Minas Gerais, 1988.
MANZO, A.D.M., HERRERÍA M.E.E., MANZANO R.L.M. Europa ante América: encuentros de varios mundos y nuevas civilizaciones. In: Revista Universidad y Sociedad v. 13(S2), p. 816. 2021.
MARTINS, M.L. Faiscadores e garimpeiros na ordem escravista: lutas e resistências nos terrenos diamantinos das Minas Gerais. In: Anais da IV Semana de História, org. E. Chaves e C. P. Silva. Diamantina: UFVJM. 2018.
MAWE, J. Travels in the Interior of Brazil, particularly in the Gold and Diamond Districts of that Country. London: Longman, 1812.
PINTO-CASQUILHO, J. Sobre o Enigma do Diamante Português. In Diálogos, v. 5, p. 215–247. 2020 - https://doi.org/10.53930/27892182.dialogos.5.57.
PINTO-CASQUILHO, J. Rastreando o Diamante Bragança: semiose veiculada por esplendor e sigilo. In: Diálogos, v. 8, p. 206–248. 2023 - https://doi.org/10.53930/27892182.dialogos.8.139.
RODRIGUES, A. Línguas indígenas: 500 anos de descobertas e perdas. In: Delta, v. 9, n. 1, p. 83103. 1993.
SANTOS, J.C., RIBEIRO, J.A., MOREIRA, P. (orgs). Museu Tesouro Real. Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2023, p. 348.
SANTOS, J.F. Memórias do districto diamantino da comarca do Serro Frio. Rio de Janeiro: Typographia Americana, 1868.
SOUZA, L.M. Desclassificados do ouro: a pobreza mineira no século XVIII. Rio de Janeiro: Graal, 2004.
SPIX, J. B. Viagem pelo Brasil (18171820). Tradução de Lucia Furquim Lahmeyer. vol. 2 Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2017.
SVISERO, D.P., SHIGLEY, J.E., WELDON, R. Brazilian Diamonds: A Historical and Recent Perspective. In: GEMS & GEMOLOGY, v. 53, n. 1, p. 2–33. 2017 http://dx.doi.org/10.5741/GEMS.53.1.2
TEIXEIRA, J.J.R. A consolidação do monopólio dos diamantes como pilar da joalharia real portuguesa no período Mariano: 17301790. In: Revista de História, n. 182, p. 125, 2023. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9141.rh.2023.212365.
VIERA-COUTO, J. V. Memória sobre as minas da Capitania de Minas Gerais, suas descripções, ensaios, e domicílio próprio. Rio de Janeiro: Eduardo e Henrique Laemmert, 1842.
