Capa da Revista Galo Nº 13 de 2026
Dossiê: História da saúde e das doenças — saberes, práticas, instituições e sujeitos Ano 7, nº 13 jan./jun. de 2026
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Escravidão, epidemias e resistências indígenas na Amazônia Colonial: entrevista com o historiador Décio de Alencar Guzmán

A presente entrevista, realizada com o professor e pesquisador Décio de Alencar Guzmán, aborda de maneira relacional três questões centrais para a compreensão da experiência colonial amazônica: os regimes de escravidão indígena, a disseminação das epidemias e as múltiplas formas de resistência e reorganização protagonizadas pelos povos indígenas da região. As guerras de captura, o trabalho compulsório e a circulação de doenças atuaram de forma articulada, segundo o entrevistado, estruturando um sistema colonial marcado pela violência, pela mobilidade forçada e pela instabilidade política. As epidemias, longe de serem apenas eventos biológicos, são tratadas como agentes históricos que intensificaram deslocamentos populacionais, desarticularam chefias e redefiniram relações de poder, ao mesmo tempo em que suscitaram respostas indígenas criativas, expressas em alianças, fugas, negociações e reelaborações cosmológicas. Nesse sentido, a entrevista contribui para uma leitura da Amazônia Colonial como um espaço de conflitos e encontros permanentes, no qual a escravidão e as doenças coexistiram com práticas ativas de resistência, adaptação e reinvenção das comunidades indígenas.

Décio de Alencar Guzmán possui graduação em História e especialização em História da Amazônia pela Universidade Federal do Pará (UFPA), mestrado em História pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em São Paulo; e mestrado em Histoire et Civilisations pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), em Paris. Realizou seu doutorado em Civilisations, cultures, littératures et sociétés na Sorbonne Université, na França. Atualmente, é líder do Grupo de Pesquisa em História Digital na Pan-Amazônia. Foi bolsista da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, em Lisboa, e prestou serviços de assessoria técnica ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Além disso, é sócio e diretor do Arquivo do Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP), atuando também como docente na Faculdade de História da Universidade Federal do Pará (UFPA) e nos Programas de Pós-Graduação em História Social da Amazônia (UFPA) e em Diversidade Sociocultural do Museu Paraense Emílio Goeldi (PPGDS/MPEG).

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