Capa da Revista Galo Nº 13 de 2026
Dossiê: História da saúde e das doenças — saberes, práticas, instituições e sujeitos Ano 7, nº 13 jan./jun. de 2026
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Leprosário São Francisco de Assis: Uma análise do arquivo médico produzido em um espaço isolacionista. (1926–1986)

Resumo: O presente trabalho analisa a trajetória do Leprosário São Francisco de Assis, no Rio Grande do Norte, a partir do seu arquivo médico e documental entre os anos de 1926 a 1986. No início do século XX, o avanço do higienismo e da modernização da sociedade transformou a lepra em um problema coletivo e alvo de políticas públicas severas, fundamentadas no isolamento compulsório dos doentes. O objetivo central é investigar como o corpo documental da instituição retrata as mudanças desse espaço isolacionista e a sua relação com os projetos da ciência médica da época. Para o desenvolvimento de tal análise utilizou-se de Charles Rosemberg e práticas defendidas por Certeau. A partir dos estudos iniciais, o acervo clínico representa o processo de vigilância e despersonalização dos sujeitos realizado pelas instituições asilares, mas, por outro lado, demonstra quem foram os sujeitos atingidos pela lepra, a relação mantida entre doentes e médicos, assim evidenciando as transformações de concepção e de práticas médicas seguidas na instituição.

Palavras-chave: História da saúde. História da lepra. Arquivo médico.

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