Capa da Revista Galo Nº 13 de 2026
Dossiê: História da saúde e das doenças — saberes, práticas, instituições e sujeitos Ano 7, nº 13 jan./jun. de 2026
Como citar?
 

Unguentos, tônicos e chás: a venda da cura “milagrosa” na imprensa carioca do século XIX

Resumo: Este artigo propõe a análise de propagandas de remédios tidos “milagrosos”, ao longo do século XIX, e como os seus discursos de eficácia, mesmo sem basilares científicos comprovados, eram sustentados pela ideia de uma medicina norte centrada. Para além desse modelo moderno-colonial de medicina abordaremos, como tais anúncios, divulgavam o uso de matérias-primas nativas na elaboração de receitas para os mais diversos tipos de doenças traduzidos pela vasta oferta de unguentos, tônicos e chás. Buscamos, assim, demonstrar a confluência entre o simbolismo da medicina norte centrada, considerada “moderna”, conectada com o uso de produtos nativos na produção de diferentes medicamentos.

Palavras-chave: remédio. imprensa. propaganda. unguentos. Rio de Janeiro.

Referências

ABREU, Jean Luiz Neves; NOGUEIRA, André; KURY, Lorelai. Na saúde e na doença: enfermidades, saberes e práticas de cura nas medicinas do Brasil Colonial (séculos XVI–XVIII). In: HOCHMAN, Gilberto; TEIXEIRA, Luiz Antônio; PIMENTA, Tânia Salgado (org.). História da saúde no Brasil. São Paulo: Hucitec, 2018. p. 27–66.

BINGHAM, Caroline. O fundador e a fundação do Royal Holloway College. In: MOORE, Moreton (org). Centenary lectures, 1886–1986. Egham: The College, 1988.

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.

DANTES, Maria Amélia M. A história das ciências, os documentos e os acervos. In: MONTEIRO, Yara Nogueira (org.). História da saúde: olhares e veredas. São Paulo: Instituto de Saúde, 2010.

CHERNOVIZ, Pedro Luiz Napoleão. Dicionário de Medicina Popular e das ciências acessórios para uso das famílias. Vol I, 6 ed. Paris, 1890.

EMANUEL, João. “Cura de todos os males”: Unguentos Holloway nos jornais do Rio de Janeiro (1821-1848). Summaria, 2019. Disponível em: “Cura de todos os males”: Unguentos Holloway nos jornais do Rio de Janeiro (1821-1848) – SUMMARIA. Acesso em: 12/03/2026

FERREIRA, Luiz Otávio. Medicina impopular: ciência popular e instituições médicas na primeira metade do século XIX. In: CHALHOUB, Sidney; MARQUES, Vera Regina Beltrão; SAMPAIO SOBRINHO (org.). Artes e ofícios de curar no Brasil. Campinas: Editora da UNICAMP, 2003. p. 101–122.

FIGUEIREDO, B. G. Os manuais de medicina e a circulação do saber. Educar em Revista, Curitiba, n. 25, p. 59–73, 2005.

LIMA, Tânia Andrade. Humores e odores: ordem corporal e ordem social no Rio de Janeiro, século XIX. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, p. 44-94, nov. 1995–fev. 1996.

Regulamento da Junta de Higiene Pública. In: Coleção de Leis do Império do Brasil. Rio de Janeiro, 1851. pt. II, v. 1, p. 259

Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Rio de Janeiro, v. 76, 1913.

SOARES, Márcio de Sousa. Médicos e mezinheiros na Corte Imperial: uma herança colonial. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 8, n. 2, p. 407–438, jul./ago. 2001.

VELLOSO, Veronica Pimenta. Farmácia na corte imperial (1851–1887): práticas e saberes. 2007. Tese (Doutorado em História da Ciência e da Saúde) — Casa de Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2007.

WIDDER, Rebecca M.; ANDERSON, Douglas C. The appeal of medical quackery: a rhetorical analysis*.* **Research in Social and Administrative Pharmacy**, v. 11, n. 2, p. 288–296, 2015.