A moça caetana e a “morte domada” sertaneja: mentalidade medieval na representação do morrer, da morte e do sagrado em O Romance d’A Pedra do Reino de Ariano Suassuna
Resumo: Este artigo propõe uma análise da representação da morte, do morrer e do sagrado na obra O Romance d’A Pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta, de Ariano Vilar Suassuna. A pesquisa busca evidenciar as reminiscências medievais do mundo ibérico presentes na literatura do autor paraibano, identificando a interação entre esses elementos culturais e as realidades sociopolíticas do Brasil do século XX. Para tanto, utilizaremos do arcabouço teórico metodológica da História das Mentalidades, particularmente as contribuições de Philippe Ariès e Michel de Certeau, para aprofundar a conexão entre a representação da morte na obra suassuniana, nomeada como Moça Caetana e a mentalidade medieval acerca do fenômeno social da morte. Conceitos como a boa morte, a “morte interdita” e a “morte domada”, serão abordados a fim de esclarecer como esses elementos se entrelaçam na construção da narrativa. Este estudo, portanto, propõe uma reflexão sobre como a literatura de Ariano Suassuna, ao incorporar reminiscências do mundo medieval, se torna um campo de resistência simbólica e cultural frente a modernidade capitalista, ao mesmo tempo em que oferece uma profunda meditação sobre a condição humana diante da morte, do morrer e da finitude da vida.
Palavras-chave: Moça Caetana. Mentalidade. Morrer. Medievo.
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