Capa da Revista Galo Nº 11 de 2025
Dossiê: Formas de liberdades e vidas de libertos no escravismo atlântico Ano 6, nº 11 jan./jun. de 2025
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Com as cores da escravidão e da liberdade: uma análise da aquarela Quitandeiras de diversas qualidades, de Jean-Baptiste Debret (1826)

Resumo: De todos os artistas estrangeiros que, na primeira metade do oitocentos, pintaram o Brasil e sua gente, Jean-Baptiste Debret foi um dos que melhor retrataram e descreveram nosso cotidiano escravista. Suas obras pictóricas, tomadas enquanto importantes registros históricos, nos permitem entrever aspectos essenciais dos hábitos urbanos, das atividades econômicas e das relações hierárquicas e desiguais que caracterizaram essa sociedade. Partindo dessa perspectiva, este artigo tem por objetivo empreender uma análise exploratória da aquarela Quitandeiras de diversas qualidades (1826), procurando discutir os elementos técnicos e estilísticos da obra, sem perder de vista como os agentes retratados, escravas e libertas de origem africana, desempenharam um papel de grande relevância no desenvolvimento das atividades mercantis de pequena monta voltadas para o mercado interno de abastecimento. Para além dos registros da violência do cativeiro, Debret, não obstante seu olhar estrangeiro, soube não só interpretar como também dar grande realce à capacidade de agência dos escravos e seus descendentes.

Palavras-chave: Debret. Escravidão. Pequeno comércio.

Referências

Fonte Iconográfica

Quitandeiras de diversas qualidades (1826). Jean-Baptiste Debret. Aquarela sobre papel; 14,8×22,3cm. Museu Castro Maya, Rio de Janeiro.

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