Capa da Revista Galo Nº 11 de 2025
Dossiê: Formas de liberdades e vidas de libertos no escravismo atlântico Ano 6, nº 11 jan./jun. de 2025
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“Matar os brancos para ficarem forros”: a promessa de liberdade e a revolta dos escravos de Carrancas (Minas Gerais, 1833)

Resumo: O objetivo deste artigo consiste em discutir a relação existente entre a revolta dos escravos de Carrancas e a Sedição Militar de 1833 e o papel desempenhado pelo boato de alforria na ação dos insurgentes. O levante ocorreu no dia 13 de maio de 1833. A falsa notícia foi propagada entre os escravos pelo líder da revolta, o escravo Ventura Mina. Este, por sua vez, teria sido informado por Francisco Silvério Teixeira de que os caramurus haviam libertado os escravos durante o curto período em que tomaram o poder, em Ouro Preto, entre os meses de março e maio de 1833. A revolta de Carrancas e a Sedição Militar foram acontecimentos coevos e estiveram intrinsecamente imbricados. Francisco Silvério Teixeira foi acusado de promover a insurreição com o objetivo de desviar a atenção da guarda nacional que estava aquartelada na vila de São João del-Rei e que se preparava para combater os sediciosos em Ouro Preto. Do lado dos escravos, houve a apropriação da identidade política caramuru para levarem adiante o projeto de liberdade através da insurreição. Ambas tiveram reflexos na macro política imperial, particularmente a Revolta de Carrancas.

Palavras-chave: Escravidão. Liberdade. Insurreição. Império do Brasil. Província de Minas Gerais.

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